2° Seminário Técnico discute a importância da conservação ambiental na Bacia do Rio Doce

Importantes lideranças da iniciativa pública e privada estiveram presentes no 2º Seminário
Mais de 150 pessoas participaram do 2º Seminário Técnico do Projeto Agente Ambiental realizado no dia 04 de fevereiro pelo Instituto Xopotó, no município de Brás Pires, localizado a 200 km de Belo Horizonte. O evento contou com a participação de importantes lideranças da iniciativa pública e privada ligadas ao desenvolvimento sustentável, em que assistiram a palestras e debates, a respeito da conservação ambiental na Bacia do rio Doce e do pagamento a produtores rurais por serviços ambientais. Estiveram presentes compondo a mesa de honra; o Diretor de Desenvolvimento e Conservação Florestal (IEF), Luiz Carlos Cardoso Vale, a deputada estadual Rosângela Reis, o professor Ismael Pires, representante da Universidade Federal de Viçosa (UFV), a representante da Associação das Siderúrgicas para Fomento Florestal (ASIFLOR), Silvia Novaes, o prefeito de Brás Pires, Domingos Rivelli Nogueira e o Diretor Presidente do Instituto Xopotó, José Geraldo Rivelli.
Para iniciar os trabalhos do Seminário, foi apresentado por Luiz Carlos Cardoso Vale, Diretor de Desenvolvimento e Conservação Florestal do IEF, a região das nascentes do rio Doce e sua importância para o desenvolvimento e conservação florestal do Estado. Concluindo sua fala, o diretor deu explicações sobre o Programa Bolsa Verde. Para ele, a implantação de medidas que venham revitalizar a bacia do rio Doce é um trabalho gigantesco e somente poderá ser levado em consideração com a participação de todas as forças vivas da sociedade, governamentais e não-governamentais, sob o risco de ver as dificuldades regionais se aprofundarem ainda mais. “O Instituto Xopotó, com forte atuação no alto curso desta bacia, vem somar esforços necessários, de forma a desenvolver ações que foquem não apenas a recuperação ambiental, mas também as alternativas econômicas para as comunidades locais, permitindo a implantação de modelo que resgate os valores culturais e de sobrevivência destas populações”, afirma Luiz Carlos. E dessa forma, os produtores rurais beneficiados pelo Projeto Agente Ambiental devem ser os pioneiros a receber o Bolsa Verde.
O Projeto Agente Ambiental, apresentado pela Engenheira Florestal e Mestre em Ciências Florestais, Mariana Barbosa Vilar, Coordenadora do Projeto, objetiva fomentar a sustentabilidade de pequenas e médias propriedades rurais da região das Nascentes do Rio Doce, localizada nas bacias dos rios Piranga e Xopotó, orientando as atividades produtivas, de forma a contribuir para a melhoria da renda do produtor, sem comprometer os recursos naturais nelas existentes. Após a contextualização do Projeto ao público, Mariana apresentou o diagnóstico e os aspectos socioeconômicos e ambientais das propriedades rurais da bacia do rio Xopotó realizado em 200 propriedades rurais da região das “Nascentes do rio Doce”, em 2008 e 2009. O diagnóstico indicou uma grande riqueza de recursos naturais presentes na Bacia Hidrográfica do rio. Foram encontradas 278 nascentes e apenas 20% encontram-se protegidas. Das propriedades visitadas 92,5% têm área menor que quatro módulos fiscais, um dos critérios até então definidos para seleção das propriedades a serem incluídas no Bolsa Verde.
Presente no evento, o Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho, disse em seu discurso que o levantamento para definição dos critérios para seleção dos beneficiados pelo programa Bolsa Verde devem ficar prontos até o final de 2010. Para ele, o Projeto Agente Ambiental é muito importante por ser multiplicador e representa um potencial de transformação para região. “É disso que nós estamos precisando preparar pessoas que possam multiplicar as boas técnicas e práticas de conservação, de uso da terra, de plantio feito de maneira ambientalmente correta”, afirma José Carlos Carvalho. O Projeto também foi avaliado por ele de forma positiva e que deve ser difundido em todo o estado como uma iniciativa fundamental para mudar a mentalidade dos produtores rurais.�
Para o prefeito do município de Brás Pires, Domingos Rivelli Nogueira, o mais significativo é incentivar a preservação ambiental, um primeiro ponto a ser levado em consideração. “A expectativa é de que realmente seja na prática o incentivo por meio do programa Bolsa Verde, para que os produtores comecem a se sensibilizarem com a importância da preservação da mata nativa”, conclui o prefeito.�
Durante o Seminário, José Geraldo Rivelli, Diretor Presidente do Instituto expôs as metas do Projeto Agente Ambiental para 2010. O objetivo é concluir o diagnóstico na bacia do rio Xopotó, sendo visitados os municípios de Paula Candido, Mercês, Rio Espera e Ubá. Também será iniciado o diagnóstico dos municípios da bacia do rio Piranga. As propriedades já visitadas nos dois primeiros anos de projeto passarão a ser monitoradas para serem certificadas quando os critérios dos programas de remuneração dos produtores rurais já estiverem sido estabelecidos.
Como forma de consolidar a trajetória de um trabalho feito em parceria, em prol da conservação ambiental na Bacia do rio Doce e como marco da realização do 2ºSeminário Técnico do Projeto Agente Ambiental, na região das Nascentes do Rio Doce, foi plantada uma muda de Jequitibá Rosa (Cariniana estrellensis), espécie ameaçada de extinção pelo prefeito de Brás Pires, Domingos Rivelli Nogueira, pelo Diretor Presidente do Instituto, José Geraldo Rivelli, e pelo Secretário José Carlos Carvalho que também foi homenageado pelo Instituto Xopotó por seu trabalho frente à secretaria.
O Projeto Agente Ambiental é realizado em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Sociedade de Investigações Florestais (SIF), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a Associação das Siderúrgicas para Fomento Florestal (ASIFLOR), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER-MG).